A vida em Amesterdao



Nao o retalho da vida de um medico, mas o retalho da vida de uma portuguesa na terra dos diques, bicicletas, tulipas, moinhos, queijo... e sim, das drogas e do Red Light District tambem.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

touching close to home

Tive um tio-avo que morreu ha varios anos. Sengundo me contaram, sempre foi um homem orgulhoso, arrogante e independente.
Na velhice, por razoes de saude, teve de ir para um lar. Nunca se conformou com a necessidade de depender de alguem e tornou-se um pouco amargo. E infeliz.
Um dia saiu do lar para ir dar uma volta a pe (como fazia frequentemente) e atirou-se para debaixo de um comboio da linha de Sintra. Um incomodo para os passageiros e utentes da linha.
Uma perda para a minha familia. Eu conheci-o mal, mas ficou-me sempre como a primeira grande lembranca do que a solidao e dependencia na velhice podem fazer. Infelizmente, ja tive outras posteriores.

Escrevo do Thalys, algures entre Bruxelas e Paris. Estamos parados ha bem mais de uma hora. Acabaram de informar que, no minimo, teremos mais 30 minutos de espera. Alguem se atirou para debaixo do comboio. Um incomodo para os passageiros, certamente. Uma perda para a sociedade. Uma perda muito maior para alguem.

6 comentários:

Kitty * disse...

Nestes casos fico sempre a pensar na pessoa que ia a conduzir o veículo... Deve ser um trauma enorme.

Débora E. Santo disse...

Pois, estamos a passar por grandes problemas. Apesar de estarmos rodeados de tudo e, por vezes, de todos, a solidão começa a despontar. Já ninguém tem tempo, nem paciência, para olhar para o lado.
Estamos a esquecer valores e sentimentos que nos distinguiam dos outros seres vivos.
Onde isto vai parar???? Impossível saber!!!!

Goldfish disse...

Uma perda especialmente para o mundo, que não conseguiu amparar um dos seus. E a Kitty tem razão, que eu um dia pensei que tinha atropelado um gato e tive uma crise histérica, imagine-se atropelar uma pessoa (mesmo que não se tenha culpa alguma)!

J.M disse...

A solidão é a pior coisa por que se pode passar. E, por experiência própria, acreditem que podemos estar ao lado de uma pessoa e ela estar só. Simplesmente porque mesmo que gostem muito de nós e nós deles, não somos o que desejam.
No passado mês de Maio, o comboio que eu era suposto apanhar estava atrasado mais de uma hora, quando finalmente apareceu, perguntei ao funcionário o que se tinha passado, e ele informou-me que tinha sido uma pessoa que se tinha atirado para a linha, mas tinha demorado mais tempo ainda, porque o maquinista tinha entrado em choque e tinha inclusivamente desmaiado.
Duas tragédias num curto espaço de linha...
Depois disso, já encontrei o mesmo funcionário que me garante que o maquinista está de baixa e recusa-se a pegar novamente num comboio.
Imagino o que vai naquela cabeça...

Tuxa disse...

Kitty,
Confesso que nem tinha pensado nisso, mas tens toda a razao... que trauma!

Débora,
Concordo completamente. A anomia social cada vez se torna maior.
É triste, mas que fazemos nós, individualmente, para mudar isso? Em geral, pouco, muito pouco.

Goldfish disse...
Também me aconteceu com um cao... fiquei doente.

Joana,
Tocas 1 ponto importantes: a solidao, que é um fenómeno cada vez mais comum na sociedade (e tens razao, pode-se estar acompanhado e estar só na mesma).

Tuxa disse...

JM,
Tocas 1 ponto importantes: a solidao, que é um fenómeno cada vez mais comum na sociedade (e tens razao, pode-se estar acompanhado e estar só na mesma).
(Nao Joana, desculpa)