A vida em Amesterdao



Nao o retalho da vida de um medico, mas o retalho da vida de uma portuguesa na terra dos diques, bicicletas, tulipas, moinhos, queijo... e sim, das drogas e do Red Light District tambem.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ainda Saramago

Aqui há umas semanas escrevi sobre este assunto...

Nestas férias consegui obter cópias de todos os textos que o meu irmao escreveu/publicou na faculdade, incluíndo o que escreveu a propósito do "Levantado do Chao".

(Os meus pais tinham cópias guardadas, parecia que adivinhando que um dia alguém perguntaria por elas. Quantos mais tesouros estarao guardados nas gavetas e armários daquela casa?!)

“Levantado do Chão”

Saramago. Nunca li. E ele escreveu sobre o imenso.
E depois sobre o Alentejo. Li, e tornei a faze-lo, inebriado.
São paginas enormes, um infindável mar em cada uma, de gente, conflitos, dores e a submissão a terra, ao trabalho e ao latifúndio, vergando as costas de sol a sol, morrendo, passando fome. E voltar a página e ver tudo isso outra vez. E há-as lavadas em lágrimas, outras manchadas de sangue, fresco, penadas de vida, e descobrir na contemplação mágica das palavras, umas após as outras, freneticamente, a vida do Joao Mau-Tempo, lavrador e dos outros lavradores e do latifúndio. E no meio da história, outras, pequenas, de um cão morto, do pai e do filho forcados a defrontarem-se em luta, do homem enforcado e de outros, espancados até a morte.
Joao Mau-Tempo nasceu e morreu de Alentejo, mourejou desde petiz, afincadamente, fornicou e casou com Faustina, tiveram filhos, passaram fome e outras misérias, labutaram e lutaram contra os latifundiários, e foram sempre perdendo, acoitados pelo regime e pela PIDE. Conheci-os a noite, deitado na cama, e de dia, nos transportes públicos.
É um livro cru, as arestas rudes (poli-las porque?), os homens iletrados quadrados estúpidos, intensamente vivos de simplicidade. Da primeira a última página nem uma palavra a mais ou a menos, sangueterraIgrejapolíticafomemuitafomemalditoSalazarepide e as espigas de trigo, ceifadas ainda com vida, dos campos do Alentejo.
Acerca do título disse o autor: “Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma flor brava ou uma ave. Ou uma bandeira. Enfim cá estou eu outra vez a sonhar. Como os homens a quem me dirijo.”

Estou com vontade de pegar novamente no livro...

5 comentários:

Goldfish disse...

Lindos textos, os do teu irmão. Não tem um blog, não?

Tuxa disse...

Escrevia lindamente; acho que por falta de tempo há muito que nao pega numa caneta para libertar a imaginacao. É pena. Nao tem blog mas vou-lhe pedir para, de vez em quando, publicar por aqui os textos dele...

Goldfish disse...

Rapariga, lembras-te das sabrinas de um post lá para trás, branquinhas, e que tão bem te assentavam nos pés? Estão esgotadas, pelo menos o 38. E o cinza também. :(

Tuxa disse...

Porque nao tentas a loja deles aqui em Amesterdao? Fica mesmo pertinho da Dam e estao em saldos. 50 euros certinhos!!!

Goldfish disse...

Olha, acho que vejo já amanhã, que só entro às 14h30!