A vida em Amesterdao



Nao o retalho da vida de um medico, mas o retalho da vida de uma portuguesa na terra dos diques, bicicletas, tulipas, moinhos, queijo... e sim, das drogas e do Red Light District tambem.


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

(...)

Pela manha, o habitual. A correria do costume, o caminho da escola, a paragem para o café. Mal paro o carro, deparo-me com um cenário aterrador.

Um idoso passa de bicicleta, debaixo de chuva. Uma bicicleta antiga, de rodas grandes e um cesto na frente. Sem qualquer agasalho, ou artefacto que o protegesse, segue o seu caminho, não sei se com algum destino marcado. Numa poça de água, tropeça e cai. Exactamente na mesma altura em que uma carrinha passa, e que, miraculosamente, o consegue evitar.

Os transeuntes mais próximos correm em seu auxilio. Por momentos, e num rasgo de crueldade, da qual também sou vítima, confesso, julgo que estaria sob efeito de álcool. Porque é fácil, atribuir rótulos aos mais fracos. Entretanto percebo que não, e irrito-me comigo por tê-lo pensado. Fui injusta, e não gosto mesmo nada disso.

Oiço-o depois a falar com a Dona R., onde parei para comprar o jornal, e fico a olha-lo, num sentimento estranho. De compaixão, misturado com alguma ira virada a mim.

Sim Dona R, eu sei que já não tenho idade para estas coisas. Mas não, não tenho dinheiro para uma motoreta daquelas fechadas. A minha reforma não chega para isso. Medicamentos, água, luz. Sou sozinho, sabe como é.

Nós pensamos que sim, mas julgo que poucos saberemos como é. Percebo, que é esta a Solidão, que por vezes se fala por aí.

Pela CF - li e senti o fundo das entranhas a revolverem-se. Porque me custa muito a solidao, abandono e pobreza nos idosos.

Sem comentários: