A vida em Amesterdao



Nao o retalho da vida de um medico, mas o retalho da vida de uma portuguesa na terra dos diques, bicicletas, tulipas, moinhos, queijo... e sim, das drogas e do Red Light District tambem.


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sessão tripla

Há meses que não fazíamos uma destas... uma sessãozita tripla de cinema!




The Social Network:



O filme, sendo do David Fincher, fez-me ter expectativas automatica e necessariamente altas... e não me defraudei. Gostei muito da interpretacão do actor Jesse Eisenberg (Zuckerberg) e Andrew Garfield (Saverin). Sendo um filme baseado na realidade da criacão do Facebook, não tem a espectacularidade que pode ser criada em ficcão, mas achei muito bem conseguido. Não é um filme para a vida, mas vale o bilhete.


Unstoppable:

Não engana ninguém, é o que se espera. Muita accão, muita adrenalina, situacões limite e um happy-ending. Ve-se bem e vale a pena pelo que é.

Buried:
O poster é magnífico. Gostei da premissa (não nova, já o Quentin Tarantino tinha feito um episódio especial para o CSI com o mesmo tema, por exemplo) e do enredo. Achei que aspectos da história não faziam grande sentido mas outros achei muito bons. Podia ter sido brilhante. Não foi; ainda assim, gostei bastante e recomendo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sentado na Holanda

É o título de uma crónica publicada no Jornal de Negócios. Li-o porque a Andorinha publicou a sua opinião no blog . E ía lá deixar comentário mas estava a ficar gigante...

Assim, decidi copiar a crónica na íntegra, parti-lo aos bocadinhos e dar a minha opinião (parcial, nada a fazer... baseio-me nas minhas experiencias, nas experiencias de pessoas que me rodeiam e no que leio e ouco).

Nao me parece que este texto seja escrito da perspectiva de um turista (já que o filho mora por cá), mas é parcial. Tal como a minha visão.

Estou na Holanda a apanhar neve e frio. Mas não me importo.
Amsterdão é uma cidade onde me sinto perfeitamente em casa. Gosto desta combinação de extrema organização e extrema liberdade. O Estado está aqui muito presente. Afinal este é um dos países do sucesso social-democrata. Apesar das crises e de alguma viragem a direita, a Holanda continua a ser umas das sociedades europeias mais civilizadas e onde a qualidade de vida é maior.

Concordo em absoluto. É das coisas que mais digo a quem pergunta: - Porque Holanda?
A qualidade de vida. Há tempo para trabalhar, há tempo para gozar a vida. Há dinheiro para pagar as contas, fazer pezinho de meia e ainda gozar umas feriazitas. Não é uma vida milionária mas os Holandeses são poupados e sérios no que se refere a dinheiro. Há pouca clivagem salarial comparando com outros Países; o salário mínimo é alto, a grande maioria recebe acima do salário mínimo e não abundam os salários milionários.
Há muita organizacao, de facto. Impensável, por exemplo, dar um salto as Financas ou Seguranca Social para tirar uma dúvida. Tudo se faz com marcacao antecipada. Perde-se menos tempo em deslocacoes e esperas, mas as vezes demora semanas a resolver algo que em Lisboa trataria num dia. Tem vantagens e desvantagens.

Os burocratas holandeses dedicam o seu tempo a criar um ambiente favorável ao bem estar da população. A ideia de serviço público não é por estas bandas um mero "slogan" político, é mesmo verdade.
Certo, tudo certinho e perfeitinho. Mas sem capacidade de adaptacão também. O atendimento e servico ao cliente deixam muito a desejar, só respondem ao que lhes "pertence" responder, mesmo quando podem ajudar. - Isso é com o meu colega! - é algo muito frequente. - Não posso ajudar (porque falhou um subparágrafo de uma alínea escondida na 24a página do formulário), azar, vai a vida e marca nova vinda. E nem sequer verificam se tudo o resto está ok... por isso podemos facilmente bater com os costados num servico publico várias e várias vezes. De acordo com os procedimentos, está tudo ok, certinho e perfeitinho. Certo?!
Mas é verdade que todos são tratados por igual sem compadrios nem cunhas. É um sistema igualitário.

Tudo é pensado ao pormenor. O traçado das ruas, os passeios, as diferentes zonas urbanas, os serviços, o ensino, a saúde e por aí fora. A Holanda vista de avião parece uma maqueta. Tudo certinho e perfeito.
O planeamento urbanístico em geral é de sonho!! Sinceramente, tiro-lhes o chapéu! Há poucos mamarrachos e tudo o que é construído passa por crivos bem apertados, bem como pelo escrutínio da vizinhanca. Aventuras arquitectónicas nos interiores dos edifícios sao bem aceites, mas os exteriores sao preservados e nao há aldrabices nas fachadas. Em zonas de construcao nova há muito mais liberdade, mas há uma linha / ideia / conceito que permeia toda a construcao, pelo que faz sentido e tem lógica.

A atenção pelas crianças é enorme. São claramente privilegiadas. Têm prioridade em tudo e em todo o lado. A quantidade de atividades preparadas para elas é impressionante. A localização de creches e escolas é um assunto sério e muito reflectido pela comunidade, de forma a criar as melhores condições de acesso e assistência parental.
Tudo verdade. As criancas são muito centrais (tal como os idosos) e há imensas actividades para elas. A maioria, no entanto, obriga a um envolvimento parental... aqui é possível na medida em que muita gente só trabalha 4 dias por semana ou menos. E a Holanda é dos Países Europeus com maior percentagem de mulheres que não trabalham. Isso ajuda.
E as escolas (públicas) sao escandalosamente caras. O valor a pagar depende do rendimento dos pais, mas regra geral, para quem tem 3 filhos ou mais, compensa ficar em casa porque o valor a pagar é superior ao ordenado.

Certas coisas que por cá são um grande e irresolúvel problema na Holanda nem damos por elas. Por exemplo, o lixo e os carros. As cidades são muito limpas e os carros não incomodam.
O lixo. Pois... eu moro no centro e só posso por o lixo na rua duas vezes por semana a horas precisas (das 21h de domingo as 8.30h de 2a feira e e das 21h de 5a as 8.30h de 6a). Se me esqueco ou nao estou em casa, azar, tenho de guardar o lixo em casa mais uns dias. Para além disso a reciclagem é muito limitada.
E as ruas as vezes estao imundas, embora bem menos que Lisboa...

A circulação automóvel é altamente condicionada. Os limites de velocidade são muito rigorosos, o parqueamento também. A polícia é implacável. Mas toda a gente percebe que isso é positivo para a vida urbana. E afinal toda essa contenção do automóvel não impede que se circule muito bem de carro, por exemplo, em Amsterdão. As extensivas restrições e a dificuldade de estacionamento são normais. Procura-se um pouco mais adiante. Nada de grave.
Em Amesterdão circula-se bem porque é tao caro ter carro na cidade e custa tanto dinheiro o estacionamento que ninguém se atreve... claro que é positivo para a vida urbana, mas tem o seu preco. A título de exemplo, estacionar no centro custa 5€ por hora. Ter carro implica encontrar garagem (que custa a volta de 150€/mes) já que as autorizacoes de estacionamento no centro tem lista de espera de 5/6 anos. E implica pagar impostos cujos valores mensais sao superiores ao imposto de selo anual em Portugal.

Em certa medida esta normalidade choca-me. Porque é que os "outros" conseguiram resolver a questão da sujidade das ruas, da circulação e estacionamento automóvel e nós não somos capazes de o fazer. Vão passando os Presidentes de Câmara e o cócó do cãozinho incontinente continua exactamente o mesmo no passeio. É misterioso e particularmente irritante.
Nao é misterioso. É falta de vontade política. Falta de compromisso para com a Res Publica. E porque a generalidade das pessoas gosta de andar de rabo tremido. Principalmente se o passe ainda for mais caro que o carro e nao servir as necessidades. E os políticos tem um apurado instinto de sobrevivencia e nao quererem perder eleicoes... sejamos realista, quem propusesse tal coisa estava "queimado" e quem aprovasse este tipo de medidas em Portugal era apelidado de "fascista" no mínimo.

Mas a Holanda oferece uma outra lição curiosa. Em Amsterdão e nas maiores cidades holandesas não existem praticamente casas vazias. Nem lojas, diga-se de passagem. O meu filho, que é mais holandês do que português, disse-me que a explicação é simples. Se uma casa fica algum tempo vazia é imediatamente ocupada por jovens e depois é bastante difícil tirá-los de lá. O movimento de ocupações é aqui muito potente, muito bem organizado e socialmente visto com simpatia. Em consequência, muitos senhorios preferem emprestar temporária e gratuitamente os seus apartamentos, e mesmo lojas, até conseguirem vender ou alugar. O que, por sua vez, gera toda uma actividade económica, na criação de pequenos "ateliers" e empresas de jovens que, de outro modo, nunca veriam a luz. É extraordinário como um ato ilegal resulte afinal numa dinâmica social, cultural e económica tão importante.
Tenho dúvidas sobre qualquer solucao que premeie a ilegalidade. Resulta para quem nao tem as casas ocupadas. Para quem tem, é péssimo e ve-se sem proteccao num dos seus direitos constitucionais. A mim nao me convence.

Nesta perspectiva, lamento que em Portugal a juventude seja tão passiva. Não entendo como é possível existirem tantos milhares e milhares de casas vazias sem qualquer utilidade social e económica, e sem que ninguém, a bem ou a mal, tome uma atitude. Não entendo como os jovens preferem viver em casa dos pais, em condições precárias no que concerne a sua liberdade. Não entendo como os principais partidos que se dizem da contestação nunca tenham dado a devida atenção a esta questão tão essencial.
Concordo com tudo, excepto com a solucao de ocupar.

Na Holanda, a par do extremo cuidado prestado às crianças, é norma os jovens saírem de casa dos pais por volta dos 18. Não se trata de nenhuma frieza emocional, mas de gerar independência, responsabilidade, criatividade. A maioria destes jovens passam a viver em quartos ou habitações para estudantes, mas alguns com menos recursos ou mais determinados ocupam. Este facto, que soa a anarquia para alguns, é fundamental para o desenvolvimento da cultura de empreendedorismo que tão fortemente marca o ser holandês. Lamento que o mesmo não suceda em Portugal.
Lamento discordar. É muita frieza. 90% dos meus colegas marcam na agenda dias para irem visitar os pais. E muitos colegas estao desejosos que as criancas se vao de casa para poderem retomar a vida de casal. E muitos mandam os filhos para a cama as 18h para que (os filhos)possam descansar bem mas também porque querem ter vida a dois. E a iniciacao sexual na Holanda, muito precoce, é também devida a carencias afectivas em casa... as criancas tem tanto espaco para serem elas próprias, crescerem e tal que embora haja muito acompanhamento, há pouco compromisso afectivo. Isto é o que eu depreendo do que ouco os meus colegas falar sobre a vida familiar... posso estar a ser injusta, aceito-o perfeitamente.
Nao acho que seja melhor ou pior que nós. É simplesmente diferente. É assim e é a norma...

Acho lindamente que "obriguem" as criancas a arranjar part-times a partir dos 15/16 anos, nem que seja de 3 horas por semana. Aprendem o valor do dinheiro e a ser responsáveis no trabalho. A maior parte dos jovens antes ou depois da faculdade tiram anos sabáticos e vao explorar o mundo. Tenho inveja de nao o ter feito.


E pronto, era isto. Está lancado o debate. Andorinha, SZ, Thessa, Rainha, Frankie, Macau, digam coisas...

Gelo & Acidentes

Quando a temperatura sobe (de -8 para -1 / 0 graus), acontece o fenómeno mais perigoso do Inverno... a neve torna-se em gelo e andar na rua é uma aventura. Enquanto vínhamos do cinema para casa (pelas 21h) a pé, escorregámos umas poucas vezes e, embora nao tenhamos caído, vimos, numa só esquina:
  • 3 carros perderem a direccão e embater nos passeios;
  • 7 ciclistas caírem de bina;
  • 3 aceleras no chão;
  • 2 pessoas escorregarem e caírem
(isto num período de menos de 10 minutos)

Ainda ficámos por ali uns minutos a fazer sinal para as pessoas abrandarem (não serviu de muito) até que percebemos que ou passávamos ali o resto da noite ou desistíamos. Ainda pensámos em por um caixote do lixo na estrada para obrigar os carros/motas a irem mais devagar, mas tivémos medo que se assustassem e fizessem manobras ainda mais perigosas. E esta era só uma esquina. Fomos para casa.

Nota: num local estratégico, estava uma miúda a observar o transito e ver os acidentes. Tipo filme. No comments...

Gluhwein

E porque a neve e o frio convidam a festas indoor, fui convidada para uma festa Alemã, com Gluhwein, macas recheadas no forno com molho de baunilha e muitas outras iguarias.

A boa Portuguesa, fiquei logo pela cozinha para ajudar e aprender. As macãs são facílimas de fazer e uma boa alternativa a macã assada portuguesa. Sao descarocadas e recheadas com uma pasta composta por marsipan (massapão), passas, nozes e um bocadinho de manteiga para ajudar a unir. Vão ao forno num tabuleiro untado com farinha e com vinho branco no fundo e voilá. São servidas quentes com molho de baunilha por cima (sabe a leite-creme) e sabem maravilhosamente! Éramos 6, fizémos 18, sobraram estas (e eu fui a primeira a ir embora).



A acompanhar os trabalhos na cozinha, bebemos Gluhwein, que eu adoro e que a par da companhia, foi o factor decisivo para sair de casa com temperaturas bem negativas! Vinho quente enriquecido com especiarias é tão reconfortante...

A mesa de aperitivos / jantar


E as sobremesas...
Muito bom!

Saturday night snow

Depois de um dia inteiro a nevar, a cidade pelas 22h estava assim*...




*As fotos tem uma qualidade muito fraquinha, mas foi o que se conseguiu arranjar com o bb.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Juventude Portuguesa em fuga

é o que se pode ler no título abaixo...


No Volkskrant (um dos jornais diários Holandeses mais lidos) saiu uma notícia hoje sobre a vaga de emigracao portuguesa entre os jovens. Segundo o jornal, mais de 700.000 jovens sairam de Portugal entre 1998 e 2008, ou seja, 6,5% da populacao nacional. O jornal refere que desde os anos 60 que nao se assistia a tal exodo.

frescote

HojeSegundo o site, devido ao vento polar, apesar de a temperatura oficial ser de -6, o chill factor (o frio que efectivamente se sente) é -15 graus. Não tenho mais nada a acrescentar excepto que está um GRIZO do @#$@#$&^%^*!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Papis de visita

  • Tres dias a andar ao frio e neve (e os "velhotes" andam que se fartam com 60 anos, tenho bem a quem sair),
  • Ver um museu e dar um passeio de barco,
  • Ir a Marken e Volendam,
  • Comer oliebollen, uitsmeijters, erwtensoep & stroopwaffels,
  • Fazer um magusto atrasado, com direito a castanhas das boas e jeropiga,
  • Afastar saudades e por a conversa em dia.

Que maravillha!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Maluquinha

Estao -3 graus.
Tenho luvas calcadas, as princesa Leia nas orelhas e o casaco de penas vestido.

Passou agora mesmo por mim uma miuda de saia, collants pretos fininhos e sapatos com os dedos de fora. Com casaquinho de malha... No comments!

Remembering

Um dos melhores concertos que assisti aqui... Chemical Brothers.

Esta música, para além de me dar uma vontade incontrolável de dancar, de me fazer esquecer o mundo e eu própria, foi acompanhada da melhor wall projection que me lembro.

Tem de esperar pelo mn 1:01... é aí que a loucura acontece!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

VeA II - Flexdag / Part-time

A Holanda tem um sistema que permite que em vez de 7 horas diárias x 5 dias, os trabalhadores possam trabalhar 9 horas x 4 dias. Ao 5º dia útil que não se trabalha chama-se flexdag (flex-day). Na minha xafarica quase toda a gente trabalha 4 dias por semana. Muitos ficam em casa as 4as porque é o dia em que a escola acaba a hora de almoço e assim os pais escusam de por as crianças na creche e pagar mais meio-dia. Os remanescentes ficam em casa as 6as ou 2as, tendo 3 DIAS de fim-de-semana!

Durante os meus primeiros 2 anos aqui soube o que eram os flexdag e posso dizer que é absolutamente fantástico.

Outra possibilidade muito usada é a do trabalho em part-time. Principalmente pelas mulheres com filhos... é muito vulgar cruzar-me com colegas apenas 2 ou 3 dias por semana. Trabalham quase todas a tempo parcial, ficando com os filhos os dias remanescentes. Obviamente recebem menos dinheiro, mas a possibilidade de poder ao longo da vida laboral adaptar os horários de trabalho as necessidades familiares é algo de excepcional. Nao sao obrigadas a escolher entre família e carreira. Comecam com a carreira, abrandam quando os filhos sao pequenos e passado uns anos retomam muitas vezes o trabalho a tempo inteiro.

Foi das melhores surpresas que tive a nível laboral.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Visitar Amesterdão

De vez em quando recebo emails de pessoas que vem passar uns dias a Amesterdao pedindo dicas... decidi simplificar e postar umas indicacoes básicas mas que podem ajudar quem cá vem.

1 - Quando vir?
Dezembro, Janeiro e Fevereiro sao muito frios. Menos possibilidades de chuva mas mais possibilidades de neve. Temperaturas entre os 5 e os -10 sao possíveis. Eu gosto muito desta altura do ano, embora os dias escuros e curtos nao sejam fáceis. Gosto quando neva, gosto quando está um céu azul e um frio cortante.
Marco a Maio: Temperaturas mais amenas, as árvores voltam a ter vida, chove muito mais nesta época. É a altura do Queens' Day, em que a cidade se transforma e a época do Keukenhof, a maior exposicao de flores da Holanda.
Junho a Setembro: dias enormes, longos e esplanadas cheias de gente. Dias muito bons (25 graus) alternam com dias mais frescos e chove com muito mais frequencia do que em Portugal no Verao. A minhaépoca preferida em Amesterdao.
Outubro e Novembro: Já faz frio, os dias sao curtinhos (anoitece antes das 17h) mas ainda se consegue andar bem na rua. Tipicamente também é uma época dada a chuva.

2 - Museus:
Rijksmuseum a nao perder (principalmente com a visita "audio"artística), Idem para o Van Gogh e para a Rembrandthuis (casa do Rembrandt - casa-museu). Para quem gosta de fotografia, o Foam.
A casa da Anne Frank tem sempre filas monstras. Eu acho que nao compensa a espera, mas é um marco da cidade.

3- Feiras/mercados.
O Albert Cuijpmarkt vale a pena ver, enorme e cheio de mix de pessoas.
O Bloommarkt (aka floating flower market) é altamente turistico, as flores sao caras e não tem muita variedade. Posto isto é central e vale a pena a espreitadela.
O Noordenmarkt tambem é giro, inclui um mercado biologico e minimini mini feira da ladra.

4 - Sítios emblemáticos.
Os canais. Prinsengracht / Herengracht /Keijzergracht / Singel. Basta andar a passear "à parva" e deixar os sentidos serem invadidos... O melhor da cidade e mesmo andar sem destino, mas o Jordaan nao se pode perder, a zona do rio Amstel, o Vondelpark, a zona das casas a volta dos museus (Museumplein), o Red Light District (para quem tiver curiosidade sobre as meninas em montras), e claro, a Rembrandtplein e Leidsplein (bares e discos).
Se vierem no Verao, podem passear no westerpark e visitar as lojas mais ou menos alternativas no westergasfabriek. http://www.westergasfabriek.nl/whats-on/plattegrond.

5 - Barco:
Há imensos Rondvaaten (barcos que fazem uma volta guiada pela cidade). Custam cerca de 8 euros 1 hora e eu acho interessante que vale a pena.
A Canal Bus, em frente à Centraal Station vende passe para barco. Não é barato, mas vale bem a pena, para além de que é um meio de transporte bem giro (passam junto de todas as atracções). Têm 4 percursos.

6 - Restaurantes / cafés:
Aconselho umalmoco na Place Mangerie (na Kalverstraat - a rua das lojas) pelo conceito e variedade; almoco ou jantar na Pancake Bakerij daPrinsengracht, os hamburguers do Burger Meester, almoco no Vennington (os melhores batidos e optimas club sandwich). a De Bakkerswinke ltambem tem um conceito giro. Tudo isto sao opcoes baratas / medianas. Restaurantes simpaticos e em que nao fiquem depenados ao jantar e mais complicado. Aconselho o Vlamming, ao lado da Pankake Bakerij, o Van Puffelen, na Prinsengracht, o Gare deL'Est, mais fora do centro, mas bom. O Wagamamma na Leidsplein.
Para grupos a jantar num ambiente giro mais ou menos em conta é no cafe amsterdam, uma antiga central termica (as maquinas e turbinas estao conservadas) e um dos poucos restaurantes da cidade onde a cozinha fecha as 11.
Para comer a melhor tarde de maca de Amesterdao, na Lindengracht, há o cafe Thijssen.

7 - Coisas a experimentar:
As stroopwafel artesanais. Pode-se comprar no AlbertCuijpmarkt ou no Noordernmarkt. Quentinhas e boas, feitas na hora. Para levar para casa, há opcoes mais em conta no supermercado... nao sao a mesma coisa, mas sao boas na mesma.
Queijos. Ha imensas lojas de queijo... uma especialidade é o queijo fumado. Mas tudo depende do gosto pessoal. Garantidamente há oferta para todos os palatos!
O arenque cru com pickles... nao e para todos, mas em Roma... podem experimentar!
As drogas leves... não vou fazer apologia das mesmas, mas não as incluir também não faz sentido. Há coffee shops pela cidade toda com todo o tipo de oferta.

8 - Seguranca:
O centro de Amesterdão é extremamente seguro. A pé ou de bicicleta pode-se circular a qualquer hora. Obviamente há que ter os olhos abertos ao ambiente, mas na minha opinião é uma das cidades mais seguras que conheco.

9 - Estadia:
A hotelaria em Amesterdão é cara, na generalidade. Sei que há oferta para todas as carteiras, mas deconheco a qualidade...
Nao conheco muitos hotéis porque moro por cá, mas se alguém já experimentou poisos e quiser deixar sugestoes nos comentários, eu agradeco...
Parece que os NH e o Ibis da Centraal Station sao ambos bons, segundo os comentários.

10 - A língua:
Em Amesterdao nao é preciso falar mais nada que nao o Ingles. Nos cafés, lojas e restaurantes toda a gente é fluente e o Ingles é a segunda língua da cidade. Pedir indicacoes nas ruas também nao é problema. De todo. Muito, muito fácil.
Se quiserem aprender umas palavras básicas em holandes como simpatia o esforco é bem aceite e reconhecido, mas nao é necessário.


E para já é isto, mais assuntos a abordar ou questoes, é nos comentários.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Está-se a preparar cá um tempo...

Os meus papis vêm de visita no próximo fim-de-semana. Chegam 6a a noite, voltam 4a.

A trazer na mala: gorros, cachecóis, luvas. Sapatos quentes com solas de borracha (o tempo muda depressa, pode nevar e não querem andar com sapatos de sola de pele, acreditem).

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Action plan

A comecar já este fim-de-semana. Aqui. Andar, explorar, passear, fazer umas compritas de Natal e namorar.

Pedometer

A xafarica decidiu incentivar bons hábitos alimentares e actividade física e para tal, entre outros mimos, ofereceu um pedómetro a todos os empregados.

De casa ao trabalho são 15 minutos a pé (x2 = 30 minutos a pé por dia), pelo que achava que cumpria os "mínimos olímpicos" de actividade... Pois que parece que não.

Dizem os especialistas que se deve dar 10.000 passos por dia. Ao final de 2 dias com o pedómetro a cintura confirma-se que rondo os 7.500 / 8.000 passos por dia. Trocado por miúdos, o que eu pensava que seria um extra (como ginásio, correr ou andar na bina) na verdade só me serve para repor os mínimos!!

Pelas minhas contas significa que devia andar, TODOS os dias, mais 15 ou 20 minutos a pé!!!

Irra!! Bem vivem os ignorantes... agora para ir para casa tenho de ir via Leidseplein?!?!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

what an eventful trip!!

Controlo de passaportes no comboio... Duas pessoas levadas da minha carruagem... Caramba!

Somebody shoot me!!

Ao meu lado no Thalys esta um bacano a ouvir musica FOLEIRA aos altos berros! Pese embora ir de phones, ouco tudo, mas tudinho. Nao consigo trabalhar, nao consigo ler, estou-me a passar!
Suggestions, anyone?!
(E o tipo parece um armario, irra!)

Cultural sensibility

Andava eu a explorar numa loja (em Bruxelas) com roupa em 2a mao / vintage e a seriamente namorar uma mala que custava 30 euros quando o dono me perguntou de onde eu era. Disse-lhe que era Portuguesa. A resposta?
- Ah, os meus pais tinham uma casa perto de Guimaraes mas eu nunca la fui! Detesto a lingua portuguesa, acho horrivel e nao suporto ouvir! Nao tenho nada contra os Portugueses mas a lingua e horrivel. Vivi uns anos em Espanha e gosto muito de Espanhol, mas nada do Portugues!
A minha resposta...
- Esta no direito de expressar a sua opiniao. E eu no direito de achar o seu comentario deselegante. E de nao lhe comprar nada. Obrigada e bom dia.

Devia estar parvo se achava que lhe ia dar dinheiro depois daquilo! Temos pena...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Vida em Amesterdao (VeA)

Vida em Amesterdão (VeA) vai ser uma rubrica periódica sobre as minha experiencias pessoais em Amesterdão… agora que já ultrapassei a barreira dos 4 anos de estadia, sinto que pouco me choca, pouco me surpreende, pouco me faz bulir o sangue nas veias.

Ao principio… bem, ao principio era todos os dias uma aventura, uma experiencia, uma historia para contar. Vou tentar de vez em quando recuperar uma pérola do armário ou simplesmente expor alguns factos sobre como é viver aqui ou coisas que vi que achei interessantes, diferentes ou dignas de nota… começo pelo meu primeiro dia de trabalho, 3 dias depois de me ter mudado para Amesterdão…

Começo com o início do dia (começa-se pelo principio, certo?!) … cheguei a recepção, disse que começava a trabalhar naquele dia no departamento xpto e que o meu manager era o XX. A recepcionista pegou no telefone, trocou umas frases ininteligíveis, sorriu e disse-me: o XX não está no escritório hoje. Eu não desarmei e pedi para então falar com o XY, o chefe de XX e que eu também conhecia. Repetição da conversa anterior e do resultado… pois… o XY também não estava.

E eu fiquei ali, com um sorriso parvo, a olhar para ela como quem diz… pois sim, e agora o que faço? Não conheço ninguém, não sei para onde ir, não tenho soluções, estou aqui as 8h como me mandaram e mais não sei… ai cacete, treinei tanta segurança e autoconfiança e nem consigo passar a recepção!!!

A recepcionista, entretanto, cagou altamente em mim e continuou a fazer nem sei o que, estava demasiado concentrada no meu dilema….

Acabei por falar com uma pessoa dos RH (expatriada como eu e com quem apenas tinha trocado 2 emails), que me veio buscar, me deu a entender que os holandeses eram todos maluquinhos e que o facto de ninguém estar ali a minha espera não me devia preocupar e muito menos ser algo para tomar como uma questão pessoal…

Após tão auspicioso inicio, lá fui acompanhada ao meu futuro departamento e futuros colegas (que eu já conhecia de 2 ou 3 assuntos comuns anteriores). Não houve beijocas para ninguém, toma lá um bacalhau e já vais aviada, bem-vinda e tal, e 5 minutos depois estava tudo a trabalhar, entretidos com os seus assuntos e afazeres. Eu sentei-me atrás do pc, com um dossier com o Company Handbook e a password de acesso ao sistema. Sem mais indicações ou conversa. Nesta altura já só pensava: ai a minha rica vidinha, o que é que eu vim fazer para aqui, estava tão “sogadinha” em Lisboa. Assim fiquei durante uma horinha, sem mais uma frase trocada entre as pessoas do departamento. Nesta altura já só pensava: MEDO!!!


Passado um bocado, um colega veio ter comigo e perguntou-me se eu conhecia o edifício e se sabia onde as coisas básicas ficavam. Perante o meu ar apardalado, deve ter tido pena e levou-me a passear. Em 15 minutos tinha sido apresentada a cerca de 70 pessoas diferentes, todas com nomes impossíveis de perceber, bacalhaus a esquerda e direita e depois de muitas curvas, escadas, corredores e gabinetes voltamos ao ponto de partida com indicação da localização mais próxima de máquina de café (prioridade máxima), wc e cantina. Eram 11h e já estava exausta. Eu não sou propriamente medricas, mas os meus nervos já estavam por um fio… o meu colega foi impecável e estivemos um bocadinho a conversa sobre a mudança, primeiros dias e tal. Porreiro. Comecei a descontrair.

As 12h em ponto, toda a gente se levanta e sai do gabinete. Não fiz perguntas e esperei. 10 segundos depois, o mesmo colega que me tinha levado a passear volta atrás e pergunta-me: Queres vir? Vamos a cantina almoçar! (esta rotina das 12h em ponto mantém-se 4 anos depois). Saltei da cadeira e embora não tivesse fome nenhuma (comer as 12h?!?! wff?!) disse que sim! De tabuleiro em punho me apercebo que comida quente = 0! Sopa = caldo knorr com umas coisas a boiar. Salada = 0. Havia umas fatias de pão cortado e uns pacotes individuais com queijo ou fiambre ou algo semelhante. E uns pacotinhos de manteiga. E umas caixinhas com chocolate em pepitas e açúcar colorido. Também havia uns croquetes com aspecto estranho... decidi não arriscar e tirei 2 pecas de fruta e 1 iogurte. Chegada a caixa, entrego o meu cartão mb português (que funcionava perfeitamente nos caixa automática). A senhora da caixa olha para mim e diz-me em holandês: @##@%^%**(*(_)(__*&$%#@#__+ (na minha cabeça eu só gritava: - Mas que raio é que tu queres pá?!?! O que se passa?!? Opto por entregar uma nota de 5 euros e a senhora volta a repetir algo impossível de perceber, mas já com muito menos paciência. Entretanto estava a formar-se uma valente fila atrás de mim e eu só quero bazar dali… O meu colega salvador aproxima-se e pergunta: -Tu não tens chipnip? A minha cara deve ter sido toda a resposta que precisava e entregou o cartão dele para pagar o meu almoço. Ainda estava a formular o agradecimento quando ele sorridente me diz: Não faz mal, aqui só se pode pagar com o chip (tipo porta-moedas multibanco, lembram-se?!) E de imediato acrescenta: podes pagar-me quando voltarmos para cima. Toma lá que é para não pensares que aqui se come fiado… a minha despesa tinha sido cerca de 2 euros!

Depois de um almoço complicado, em que a curiosidade de 20 pessoas se centrou em mim, fiquei extremamente grata pelo silêncio tumular do departamento. As 17h já tinha lido tudo o que havia disponível para ler e fui para casa enfiar-me nas saias da mama (que tinha ido ajudar na mudança) a pensar que tinha cometido um grande erro. Não lhe disse nada, claro…

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Masterchef professionals

Há quem veja todos os programas da Nigella, há quem vibre com o Anthony Bourdain, há quem tente cozinhar como o Jamie Oliver. Eu sou fã deste programa, que fazer?! Quando nao vejo ponho a gravar. Todas as séries tenho os meus favoritos que apoio a cada sessão...



Na maioria dos programas, os cozinheiros fazem umas combinacões altamente duvidosas / estranhas e que eu nunca pediria. São, por regra, excelentes e magníficas. "Bags of flavour", "Oh mate, this is to die for...", "I really, really like this" e outros que tais abundam.

Há uns dias num restaurante havia na ementa como especialidade tornedó com molho de chocolate e vinho do porto. Pensei "Não me parece..." e depois lembrei-me do Masterchef e decidi arriscar!

Resultado: passei 2 minutos a raspar a carne para a livrar de todos os vestígios de molho.

Não sei se o problema estava no cozinheiro ou nas minhas papilas gustativas, mas enfim!