A vida em Amesterdao



Nao o retalho da vida de um medico, mas o retalho da vida de uma portuguesa na terra dos diques, bicicletas, tulipas, moinhos, queijo... e sim, das drogas e do Red Light District tambem.


quinta-feira, 22 de abril de 2010

A minha nova heroína

Como muitos/alguns saberao, estudei Direito na FDL* entre 96 e 2002.

Fui boa aluna, mas nada espectacular ou alguém que os professores possam recordar com saudosismo pela inteligencia ou brilhantismo. Nada disso. Achava o ambiente pesado, a maioria dos alunos pareciam fotocópias, nao era particularmente estimulante. Queria comprir os mínimos de 14 de média para manter as portas abertas (de mestrado, CEJ, etc...). A partir daí, havia um mundo lá fora bem mais interessante.

Nao sofri nenhuma injustica directa, ouvi uns comentários menos simpáticos de assistentes, aos quais nao liguei pevas (nao eram graves) mas também nao fiz queixa.

Mas também assisti a injusticas a colegas. Algumas graves. E nesses também nao dei a cara. Porque se há algo que o ser humano tem apurado, é o instinto de sobrevivencia... e na FDL, quem faz barulho ou se queixa de um professor, simplesmente nao faz a disciplina. Pelo menos no meu tempo era assim e conhecia várias pessoas nessa situacao. Aos 18 anos, confesso que os meus instintos de lutar pelo que é justo ou correcto ainda nao estavam amadurecidos.

Daí o meu pasmo, espanto e orgulho pelo que esta aluna fez. Depois de ler este post da I., fui a procura da fonte no Jugular. E o meu queixo caiu com o que li. Com o teste que o Ilustre Professor Doutor Paulo Otero apresentou aos alunos e com a reaccao assumida desta aluna.
Raquel Rodrigues é a minha nova heroína.


*Short-name para identificar a Faculdade de Direito de Lisboa.

Lisbon - part II

Uma semana volvida, nova tentativa.
Voo com partida prevista as 13h;
Check-in online feito.

A mala faco amanha de manha, que nada me garante que nao a volto a desfazer depois de almoco...

(o solinho já brilha?! Posso levar sandálias, ou tenho de aceitar que também em Lisboa está tempo de botas?)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Spring in The Netherlands # 2

Domingo decidimos rumar a sul, em direccao de uma praia nova. Passámos em Lisse (perto de Leiden) e vimos hectares e hectares desta paisagem.... O Keukenhof estava completamente cheio de gente, de modo que nos contentámos em ver as flores nos campos.

Chegados a Noordwijk sentámo-nos numa (nesta) esplanada a almocar, com vista para a praia seguida de 2 horinhas de estudo sentados a apanhar sol.

Antes de regressar, arrumámos as coisinhas e fomos andar a pé durante uma hora pela praia.

E ainda chegámos a casa a tempo de ver o Benfica ganhar em Coimbra e mais 2 episódios do 24.

Isto sim, foi um fim-de-semana em grande...

Spring in The Netherlands #1

A parte boa de ter ficado presa em Amesterdao este fim-de-semana... 6a feira a tarde, e no caminho de regresso a casa, comecei a ouvir música dos anos 60 tocada ao vivo. Numa ponte e em cima de um carro, era este o espectáculo:

The Time traveller's wife

Tinha lido o livro já em 2007 (caramba que o tempo voa... só sei porque tenho uma entrada no blog a propósito dele) e gostado imenso.

Finalmente vi o filme. Com a Rachel McAdams e Eric Bana nos papéis principais. Bastante fiel ao livro, um fim ligeiramente diferente. Gostei.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O mundo é uma ervilha

Senao, como é que se explica que a erupcao de um vulcao na Islandia me impeca de passar o fim-de-semana em Lisboa?!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A expressao "meia-laranja"

Isto é um desabafo que nada tem a ver com a vida em Amesterdao. Fica o aviso.

Até há cerca de 3 anos nunca conheci ninguém que utilizasse a expressao "meia-laranja" para se referir a sua cara-metade. Nunca a vi escrita em revistas ou jornais. Nada...

Quando criei o blog, e porque nao queria usar nomes próprios, passei a identificar o meu namorado como meia-laranja, num mix de ideias (entre better half, cara metade e a cor da laranja = o cor de laranja é uma obsessao holandesa).

Entretanto, comecei a ver por vários blogs a expressao a ser utilizada com o mesmo intuito. E até descobri um blog escrito por 7 pessoas com nome e associacao semelhante. Eu nao sou "dona" da expressao, nao tenho ideia se a "inventei" e nao posso chatear-me com o facto de outras pessoas a usarem. Nao está registada, nao é minha. E nao sendo este meu cantinho muito popular e nao tendo assim tantas visitas como isso, o mais provável é que tenham ouvido a expressao noutro local qualquer. E que se tenha espalhado pela blogosfera via, via, via...

Mas confesso que sempre que leio "meia-laranja" noutros locais, me sinto roubada.... despojada de uma expressao minha, de algo que me diz muito, de um nome que uso com abundancia para falar de alguém extremamente importante para mim. E ver a mesma expressao banalizada, reutilizada, over and over again ... nao sei... fico com urticária e comichoes e zangada.

E era só isto.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Volto lá para dia 19*

* 2 dias de trabalho, tirar 2 dias de férias para tratar de burocracia, fazer trabalho de grupo e comecar a fingir que escrevo qualquer coisa para a tese, seguido de 2 dias de aulas de mba, de uma viagem a Paris e outra a Bruxelas, mais 2 dias de trabalho no escritório. Aviao a noite para Lisboa com 24 horas em trabalho e com fim-de-semana mal espremido. Regresso. Para mais trabalho e mais mba.

Depois de uma Páscoa com visitas, passeios, muita comida boa, risos e muita chuva, regressa-se a labuta.

Zigoto*

Muitos parabéns, fiquei mesmo contente! Finalmente houve quem abrisse as hostilidades!

A minha parte do acordo será cumprida, mas com algum atraso, pode ser?!

*Daqui a uns mesinhos, temos bébé! Nao, nao estou grávida, que a minha vida já tem caos e animacao que cheguem para já!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Viver num contentor de carga

Há uns anos, quando vim de ferias a Holanda, e porque tínhamos alugado um barco gigante (com 2 quartos, cozinha, sala, etc...) que ninguém tinha coragem de trazer para o centro, deixámo-lo na periferia da cidade e pegámos nas binas para explorar. No caminho passámos por uma residencia estudantil muito especial. Fica na Wenckebachweg.

Confesso que na altura fiquei fascinada com a arquitectura e conceito e como nao tinha máquina fotográfica, decidi que havia de lá passar novamente. Nunca mais o fiz, mas ficou-me na mente.
Há umas semanitas, de passeio de carro com o meia-laranja, passámos mesmo lá ao pé. Como ele nunca tinha visto, pedi-lhe que fizesse o desvio. Mais uma vez nao tirei fotos.

Mas como o Google é um espectáculo e sabe tudo, nao só encontrei o complexo na net, como também um video!



Nao é uma ideia genial? Económica, de instalacao rápida, tem privacidade e espaco qb! Eu achei o máximo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

publicidade NL e Lisboa

Ha umas semanas reparei que a publicidade que passa na TV aqui a uma seguradora (Allsecur) foi filmada em Lisboa. Ve-se o Bairro Azul, Av. Novas, o Marques de Pombal e o Tivoli Forum (inclusive o simbolo da loja Fashion Clinic). Hoje reparei que a publicidade ao novo Ford Focus tambem foi filmado em Lisboa! Vi a torre da Galp e Infante Santo.
Achei curioso... O que andarao os publicitarios a congeminar?!
Estao 5 graus. E está a chover granizo. A Primavera aqui é outra coisa...

terça-feira, 30 de março de 2010

blogger mobile

Funciona! Poder postar "a caminho" vai ser um luxo!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Paris (III)

A propósito deste meu post acerca de Pessoas...

Na 4a feira atrasei-me no trabalho, como de costume, e arranquei para o aeroporto 1.25h antes da hora de partida do meu voo. Como os transportes públicos nao estavam ainda normalizados, fui novamente de autocarro...

Perguntei ao motorista como estava o transito na auto-estrada, já que estava atrasadíssima para o meu voo. Ele explicou-me que tinha acabado de comecar o servico e que aquela era a 1a viagem do dia e que nao fazia ideia... perguntou-me a que horas era o meu voo e de que terminal partia. Disse-lhe as horas e que partia do terminal 2F (que é a 5a paragem do autocarro, já no aeroporto). Ele esbugalhou os olhos e disse: bem, nao sei nao, mas podemos tentar...
Eu sorri, disse que sabia que nao seria fácil e agradeci.

A viagem foi um terror. Tudo parado. Minutos e minutos sem avancar. 15 minutos antes do voo partir chegámos a primeira paragem do aeroporto. Nesta altura comecei a escrever mensagem para o meia-laranja a dizer que tinha perdido o voo e que ia chegar a casa tardíssimo...

E de repente...

O autocarro comecou a fazer um percurso diferente, a nao parar em nenhum dos terminais supostos e ouve-se o motorista dizer que ia fazer um percurso diferente do costume mas que ia parar em todos os terminais na mesma. E foi directo ao terminal 2F!! Sem eu ter pedido nada!
Deixou-me no terminal 10 minutos antes da hora de partida prevista. Eu sai pela porta da frente, agradeci muito ao senhor condutor e comecei a correr! 2 Holandeses que estavam no autocarro estavam a trocar impressoes a dizer que nem pensar, nem iam tentar, era impossivel.

Corri como se estivesse possuída.

Toda a gente na fila de controlo de seguranca se desviou de imediato perante o meu pedido de passar a frente, a mala passou com uma garrafa de água cheia pelos raios X, enquanto eu só repetia: o meu voo parte em 5 minutos, desculpe, o meu voo parte em 5 minutos. Os senhores dos passaportes nao chatearam, a mala passou sem problemas e eu recomecei a correr.

Cheguei a porta de embarque as 18.22h. O embarque fechava as 18.05h e o voo partia as 18.25h. A senhora já tinha o manifesto de passageiros na mao e a porta para a manga estava fechada.

Seguiu-se o seguinte diálogo:

Eu: Ainda venho a tempo de embarcar?
Hosp: Acho que nao, o voo está pronto a partir, já terminámos o embarque...
Eu: Pois, já suspeitava, mas tinha de tentar...
Hosp: Deixe-me tentar ligar para bordo...
(faz uma chamada rápida)
Hosp: de-me o seu passaporte e bilhete rapidamente e prometa-me que corre!
Eu: Claro que sim, muito, muito obrigada!

E corri. Entrei no aviao, fui cumprimentada por todo o pessoal de bordo que sorria perante o meu ar meio louco e voz arfante. Sentei-me. O aviao libertou-se da manga. Partimos.

Há dias em que as Pessoas sao um Inferno. E há dias em que, se nao fossem todas se terem alinhado para me porem dentro daquele aviao, o meu dia nao teria terminado no sofá a matar saudades do meia-laranja, mas sentada numa cadeira de aeroporto a espera de um voo que me faria chegar a casa já bem depois da meia-noite.

E nestes dias, a minha fé e capacidade de acreditar que há mais pessoas boas que más, volta a crescer.

Paris (II)

Cenário: Restaurante do hotel
Horas: 08.00h
Situacao: eu a tomar o pequeno-almoco
Argumento: um casal de americanos (com uma pronúncia muito irritante e com vogais muito abertas e que falavam altíssimo) na mesa ao lado a conversarem sobre a América e o Mundo...

(...)

Ele: ... eles nao lhe perdoam porque ela é inteligente, bonita, mae de família, profissional de sucesso, perdeu as eleicoes mas nao está zangada ou amargurada! Está feliz e continua a trabalhar! E eles tem inveja dos seus sucessos. A Sara Palin é o melhor que os US têm e há muitos invejosos!
Ela: Pois, tens razao.

(...)

Ele: O Obama é uma vergonha, vai levar o país a falência, nao tem orgulho nenhum e nao percebe que os Americanos nao precisam do resto do mundo, mas que é o resto do mundo que precisa dos Americanos!
Ela: pois.

(...)

Ele: na verdade, estes (enquanto fazia um gesto circular com o indicador mostrando que se referia aos franceses em geral), se nao fossem os Americanos, agora falavam todos Alemao ou Russo! Se nao fossem os Americanos, a Europa era toda Russa!
Ela: pois.

(...)

Ele: Eles nao suportam deverem-nos a sua identidade e liberdade (they can't stand it), estarao para sempre em dívida.
Ela: pois

(...)

Neste momento, sentindo uns calores que segundo tenho ouvido dizer sao apanágio da menopausa, e temendo estar a envelhecer prematuramente e a demencia fazer-me verter-lhe o meu chá verde e de jasmim pela tromba abaixo, levantei-me e fui trabalhar.

Paris (I)

O aviao partiu a horas e aterrou a horas.

Em GDG, para além da greve do pessoal de terra e dos transportes públicos, havia uma mala abandonada no aeroporto = policia, gendarmerie, caes e robots, cordoes de seguranca e o diabo a 4. O caos instalado. Suspirei, desisti do RER (nem conseguia lá chegar), e fui para a fila do RoissyBus.

Cheguei ao trabalho a hora de almoco. Devia ter chegado as 10.30h.

Mas já nem stresso, fui o caminho todo a ler e a ouvir música, re-marquei as reunioes para depois das 14h, larguei as tralhas no hotel, sentei-me numa esplanada a apanhar sol (estavam um dia ensolarado e com 20 graus, o que para mim é a loucura!), bebi um copo de vinho, comi um peixinho grelhado, fumei o meu cigarrinho e depois regressei a luta. O dia de trabalho acabou pelas 20h. E fui ali ao lado comer umas moules marinieres no Chez Léon e ver um filmezinho na UGC (An Education) - que recomendo vivamente!

segunda-feira, 22 de março de 2010

NO!!!

Amanha vou(?) apanhar um aviao para Paris, logo há greve do pessoal de terra.
Amanha tenho de ir do aeroporto CDG para o centro, logo há greve dos transportes públicos.
Amanha, se conseguir chegar a Paris, terei de apanhar um taxi. Com greve, o peripherique vai estar para esquecer.
Amanha tenho (tinha) 6 reunioes marcadas, logo nao devo conseguir sequer ter 3.
Amanha já devia ser fim-de-semana.

my Amsterdam # 3

* Egelantiersgracht

* Vondel park

Depois de várias (demasiadas) semanas de interregno, volto a minha rubrica para 2010... e depois de o frio ter abrandado e a neve finalmente parado, já consigo escrever novamente sobre ela.
A minha Amesterdao é a cidade da neve. Obviamente que esta afirmacao é tola e exagerada, a neve nao cobre a cidade por mais do que 6/7 semana por ano, e muitas outras cidades há em que neva muito mais/mais tempo. Mas é a cidade que me ensinou a viver com neve. Antes de Amesterdao, neve era algo que via quando ia de propósito a Serra da Estrela. Ou que me surpreendeu numa viagem a Suica. Mas eram experiencias curtas, fugazes. O máximo que tinha vivido com neve, foi uma semana em Estrasburgo (com -16 a acompanhar).

Só aqui conheci a sensacao de acordar com os sons da rua abafados , e já sabendo o que me espera, espreitar e ver tudo coberto de um manto branco.

Aprender os truques para caminhar na neve ou sobre o gelo que se forma ao fim de umas horas, aprender que a solucao para nao cair é munir-me de um desnecessário guarda-chuva como bengala quando os saltos sao inevitáveis. Descobrir que um cachecol sobre o nariz é essencial para se conseguir respirar. Que sem luvas nao vale a pena por um pé fora de casa, mesmo que seja só para ir ali ao lado. Aprender que andar de bicicleta é ter desejos suicidas.

Descobrir o prazer de sentar-me numa esplanada aquecida a beber um vinho quente com especiarias enquanto vejo uma cidade tao diferente que parece outra.

Apreciar a beleza do manto.

Ver a transformacao na cidade, nos adultos e criancas.

Ver os canais gelarem.

Millennium I, II e III

Com tanta gente a falar destes livros, nao resisti. Numa das minhas idas a Paris, comprei os 3 volumes no aeroporto. Duraram 2 semanas.

Policiais de leitura fácil e com histórias intrigantes. Eu que sou anormalmente compulsiva a ler, nao descansei enquanto nao os terminei.
Gostei bastante, até porque creio que foram os primeiros livros do autor, mas nao acho que justifiquem o hype que se gerou a sua volta.
(amanha vou de novo para Paris... a ver se nao páro na livraria... é que tenho muito que estudar e uma tese para escrever...)