Estranhamente.... não estranhamente, talvez surpreendentemente, quase todas as semanas tenho recebido emails de portugueses, ainda em Portugal, que querem “dar o salto” para fora e me colocam algumas questões praticas sobre a vida ca. Ou porque descobriram este blog, ou por via do Mind this Gap, onde postei a minha experiencia.
Algumas coisas vou contando aqui ou deixando transparecer das minhas aventuras diarias e do meu dia-a-dia, mas obviamente as descrições de determinados aspectos ficam de fora. Assim, decidi resumir algumas “informações uteis”.
Espero que estes dados sejam úteis a quem procure esclarecimento. Se precisarem de mais informação, mandem e-mail que eu tento responder.
Aviso prévio: tudo e feito por marcação. Em lado nenhum se pode simplesmente aparecer, tirar um numero e esperar. Sem marcação, não há nada para ninguém....
Burocracias:
Há uma paragem obrigatória, sem a qual nada feito para arranjar emprego. Ter um Sofi number (numero de SS e NIF num só). Mas para as autoridades locais darem o Sofi number tem de ser ter morada e contrato de trabalho, o que as vezes se pode tornar um pouco complexo de gerir em termos logísticos.
Passo seguinte, abrir conta bancaria. Só e preciso o Sofi nr. e comprovativo de morada.
Depois, proceder ao registo na Câmara Municipal (quando se tiver casa, claro), dando a conhecer que se esta a viver em determinado sitio (para efeito de pagamento de impostos) e para tudo estar ok, mesmo não sendo obrigatório para nós, convem ir também ao IND (serviços de emigraçao e legalizaçao), depois de já se ter trabalho e caso se fique mais de tres meses.
Facultativamente, mas será aconselhável, ir ao Consulado informar o Estado que estão por ca... (compreendo melhor agora as filas a porta do SEF na Ant. Augusto de Aguiar...). Nem imaginam o que e se forem dos EUA... um pesadelo!
Alojamento e despesas associadas:
O preço das casas varia muito conforme a região do Pais. Em Amesterdão, comprar e caro, muito caro! A volta de 320.000/350.000 euros por um T2 (em zonas simpáticas).
Para quem conseguir ter taxa de esforco para comprar a estes precos, o pagamento mensal nao sai assim tao caro como poderia parecer, dado que os impostos reembolsam por mes uma percentagem consoante o que se ganha/paga de imposto, assim quem mais recebe e mais impostos paga, mais recebe ao fim do mes de volta, digamos que em 1200 euros de hipoteca mensal, recebe-se 400 euros de volta.
O arrendamento, por outro lado, não e barato, mas se comparado com os preços de Lisboa, não e assim tão descabido (principalmente tendo em conta a diferença salarial). Eu moro a 10 mns da Centraal Station, no Jordaan, num apartamento duplex de 85 metros com 3 assoalhadas e pago 1.350 euros por mês, sem as “utilities” incluídas. E sei de varias pessoas que vivem no centro, ou perto, com rendas entre os 700 e os 1200. As áreas são ligeiramente mais pequenas, mas da perfeitamente. Pode não ser evidente ou imediato, mas arranja-se com alguma paciência ou com a agencia certa.
Para quem não quer/pode arrendar casa, há sempre a hipótese de partilhar casa com outros estudantes/trabalhadores. Os preços variam entre os 250 e os 500 euros, dependendo da localização e das condições. Se vierem em estudo, e sempre possível tentar as residências universitárias (preços a volta de 300 euros por mês, mas tem boas condições).
Gás/agua/electricidade. Paga-se um valor fixo todos os meses (estimativa) e no final do ano há um acerto. O que se paga a mais no Verão serve para compensar o extra dos aquecimentos no Inverno. Para uma pessoa sozinha, cerca de 70 euros por mês. Para uma família de 3, cerca de 125 euros/mês (claro que isto também depende do quão bem isolada e a casa)!
Seguro da casa. Não e obrigatório. Muitos bancos oferecem quando se abre conta bancaria. Não e caro, mas não conheço valores certos, acho que anda a volta de 100/150 euros/ano.
Condomínio: os valores dependem, como em PT. depende do contrato de arrendamento.
Ha impostos municipais que poderão ter de suportar, dependendo do contrato. Contem com cerca de 200 euros /ano.
Adicionem as despesas de tv e internet (a viver no estrangeiro tem de ter skype senão não ganham para a conta de telemóvel) - 50 euros / mês.
Empregada. Aqui, custa 10 euros a hora. Doi, mas e assim.
Salarios:
Muito dificil dar numeros. Depende muito dos anos de experiencia, das empresas por onde se esteve e da area. O salario minimo sao 1.200 euros/mes, o que da na mao cerca de 800 euros. Ja da para ter uma ideia.
Saude:
Ter seguro de saúde é obrigatório.
Há empresas que pagam o seguro aos trabalhadores, outras não. O valor mínimo ronda os 90 euros por mês.
Eventualmente é melhor fazer o cartão europeu de saúde (na Segurança Social) antes de vir e enquanto se nao se estiver a trabalhar, depois tem de se fazer o seguro de saúde normal!
Impostos:
Muito simplificado, há 4 escalões (não vou traduzir, tenham santa paciência):
The first bracket: 33.65% on the first € 17,319. This rate comprises 2.50% tax and 31.15% social security contributions.
The second bracket: 41.40% on the next € 13,803. This rate comprises 10.25% tax and 31.15% social security contributions.
The third bracket: 42% on the next € 21,942. This rate consists solely of tax.
The fourth bracket: 52% on the excess. This rate also consists solely of tax.
Para mais informações vejam:
http://www.minfin.nl/en/subjects,taxation/income-taxExiste aqui um beneficio fiscal chamado “30% ruling” que, basicamente pode significar que trabalhadores emigrantes qualificados (salários anuais acima de 50.000 euros, com bom c/v e experiência) possam receber quase 1/3 do seu ordenado sem quaisquer impostos, aplicando-se ao remanescente os escalões correspondentes, como se não houvesse beneficio).
Transportes/carroNão trazer o carro. Se a permanência for superior a um ano, a legalização e obrigatória e e cara. Em geral, a rede de comboios e muito boa e se viverem perto do trabalho (não e impossível) não precisam mesmo de carro para nada! De resto, as bicicletas fazem o servico lindamente, so uma questao de habito. Encaixem o dinheirinho, poupam nos seguros, não tem problemas com estacionamento, etc, etc..
Segundo ja me informaram, a legalizacao do carro, se se fizer nos seis meses apos a chegada ao pais custa o valor da revisao, menos de 200 euros. A este valor acresce o imposto trimestral de circulacao cerca de 100 euros por trimestre mais o seguro 700 euros/anuais.
InfantárioO Estado paga uma parte, dependendo do rendimento dos pais, que pode ir ate 2/3.
Mesmo com estas comparticipações contem com 1000 euros por mês, a vossa conta, se quiserem deixar uma criancinha num infantário 5 dias por semana. Depende do sitio onde morarem e numero de infantários, mas pode ser esse o numero.
Segundo um contributos nos comentarios, a creche custa em media seis euros por hora (assim a mais baratinha), e obrigatorio pagar 10 horas diarias. Isto a cinco dias por semana perfaz 1200 euros mensais em media. Resultado, nao ha nenhuma crianca holandesa que va 5 dias por semana a creche, tendo em conta que a media de criancas por familia e acima das duas... e fazer as contas.
Custo de vida (em geral):
Necessidades basicas (comida no supermercado, electricidade, agua e outros) - o mesmo preco que em Portugal (senao mais barato em algumas coisas). Ha algumas excepcoes. O peixe, por exemplo, e mais caro.
Cultura, luxos (cinemas, teatros, copos, jantares fora, concertos, etc...) - 20 a 30% mais caro.
E sim, toda a gente (99,9%, diria) fala Inglês.
E se alguem se lembrar de mais algo relevante, diga que eu acrescento.
Para quem procura saber como e a vida, como pulsa a cidade... entao leiam mais do blog e creio que nele transparece muito claramente o que, para mim, e Amesterdao.
Para mais, e vir ate ca e descobrir com os proprios olhos...